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João Carlos

A retrospetiva “João Carlos” é dedicada a João Carlos Celestino Gomes, cuja atividade de ilustrador e designer se desenvolveu desde os anos vinte até à sua morte, em 1961. A exposição tem curadoria do designer Jorge Silva e exibe um total de 111 peças que abrangem impressões em painéis e vitrines, livros, revistas e folhetos.

Artista singular e diversificado, João Carlos acompanhou talentosos ilustradores, como Roberto Nobre, Almada Negreiros, Bernardo Marques ou Carlos Carneiro, na visualização de um formato editorial que deu à história do design gráfico português algumas das suas mais belas páginas. A exposição, patente na Casa do Design, Matosinhos, até ao dia 12 de fevereiro de 2023, percorre o vasto espólio do designer e ilustrador, apresentando 35 peças impressas em painéis e 76 impressas em vitrines, entre livros, revistas e folhetos. Dos cabeçalhos tipográficos, que desenhava manualmente, para a Magazine Bertrand, às várias xilografias com retratos de Jesus nas primeiras páginas do Beira-Mar, passando pelas composições lineares em madeira, a obra de João Carlos é um exemplo de detalhe e apuro gráfico. João Carlos, que além de artista era médico, foi ainda o intérprete de vários folhetos publicitários do Instituto Pasteur de Lisboa. Exemplo disso é “A Medicina na Literatura Portuguesa”, uma série de 25 folhetos, representando atos médicos e a transcrição de excertos de prosa ou poesia com eles relacionados. A apresentação da retrospetiva “João Carlos” na Casa do Design, Matosinhos, é organizada pela esad—idea, em parceria com as Câmaras Municipais de Matosinhos e de Setúbal. Da exposição surgiu também a publicação homónima, co-editada pela esad—idea e pela Arranha-Céus.
João Carlos é apenas metade de uma personagem complexa, mestre de muitas artes e ofícios. Assinando com os apelidos Celestino Gomes, é poeta, prosador e ensaísta, e também divulgador científico, na rádio, televisão e jornais, associado ao seu labor de médico higienista. Assinando João Carlos, pinta, ilustra e entalha a madeira. Eternamente enamorado por Ílhavo, onde nasce em 1899, conta e pinta a gesta heróica da comunidade piscatória e grafa a sua pitoresca linguagem. O traço sinuoso e preciso, a ausência de perspetiva e a ornamentação onírica e orientalizante que encontramos na sua produção gráfica são todo um programa de arte e vida do artista prolífico que espalha tinta-da-china em folclóricos quadros para revistas e jornais, glosa as peripécias da história da Medicina em propaganda de laboratórios farmacêuticos e se devota à dramática biografia de santos e messias em livros e fascículos colecionáveis. Espiritual e humanista, fascinado pela gravura do japonês Hokusai, os Primitivos de Quatrocentos, as artes bizantina e oriental, e pelos XX Dessins do pintor Amadeo de Sousa Cardoso, João Carlos constrói, no seu horror ao vazio, uma emocionante epopeia gráfica, à margem do modernismo oficial e estilizado da «Política do Espírito» do Estado Novo.
Jorge Silva (Lisboa, 1958) é um designer de comunicação dedicado essencialmente ao design editorial e à direção de arte de publicações. Foi diretor de arte dos jornais Combate e O Independente e dos suplementos que desenhou para o jornal Público, Y e Mil Folhas. Jorge Silva tem dezenas de prémios da The Society for News Design americana pelo seu trabalho de direção de arte nestes dois jornais. Dirigiu várias revistas, como a 20 Anos, Ícon, LER e LX Metrópole. Esta última originou, em 2001, a criação do atelier Silvadesigners, que se tem dedicado ao branding cultural, sobretudo relacionado com a vida cultural lisboeta. Neste contexto, faz a direção de arte das revistas Agenda Cultural de Lisboa, XXI e Blimunda. Durante três anos ocupou as funções de diretor de arte do Grupo Editorial Leya e, desde o início de 2015, é consultor artístico da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Nos últimos anos tem lecionado Direção de Arte em mestrados da Faculdade de Belas-Artes do Porto e tem-se dedicado à investigação e curadoria nas áreas do design e ilustração. É responsável pelo conceito e edição da Coleção D, publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, sobre designers históricos e contemporâneos portugueses. Criou o blogue Almanaque Silva, onde conta histórias da ilustração portuguesa. É membro da AGI – Alliance Graphique Internationale, desde 2012.